O ano era 1997. Em San Diego, na Califórnia, Alberto, um jovem estudante brasileiro em administração de empresas estava recém-graduado, em uma renomada universidade local. Alberto, havia acabado de retornar aos Estados Unidos, de suas últimas férias de verão, em mais uma temporada surfando no arquipélago Indonésio. Ele havia se graduado com honra e fez seu último estágio na contabilidade da International Surfing Association, a I.S.A. Em seu horizonte estava trabalhar no negócio da família vendendo selos plásticos de segurança.

Mas ele não queria ingressar nessa carreira. Ainda não. Resolveu então correr atrás de concretizar um sonho que tinha, desde que havia chegado em San Diego, dez anos antes. O de ir para o Brasil de carro, saindo dali, da California mesmo. Realizar uma expedição de surf percorrendo 14 países das Américas Central e Sul, buscando ondas famosas e outras nem tanto.

Para isso, Alberto e sua companheira de viagens, também recém-graduada em Comunicação Multimídia e namorada, Rafaela colocaram no papel um projeto que eles batizaram de “Surf Americas”. Se juntou a eles ainda o Roberto Franco, o “Betão”, um baiano muito sangue bom que já havia tentado fazer esta viagem, no final dos anos 80. Numa kombi, o Betão e sua trupe de Baianos, chegaram na Cidade do Panamá e se depararam com um Estado sitiado, e tanques de guerra nas ruas. Tropas americanas estavam tentando derrubar o governo militar do General Noriega. Impedidos de prosseguir viagem por terra, Betão e seus amigos abandonaram a kombi e voaram de volta para o Brasil.

Alberto (Betinho) e Roberto (Beto), se encontraram por acaso num pôr-do-sol em Windansea, San Diego, enquanto o projeto Surf Americas ainda estava tomando forma no papel. Beto convidou o Betão para “terminar” a viagem que ele havia começado há quase dez anos atrás. Betão topou na hora, sem pestanejar, como quem já esperava por esse convite há muito tempo.

Foram então os três, o trio Surf Americas, apresentar o projeto a possíveis patrocinadores. A Reef Brazil, ainda sob a batuta de seus fundadores, Fernando Aguerre e Santiago, foi a primeira força a entrar na expedição. Também sob a orientação e suporte do Fernando como presidente da International Surfing Association, eles assumiram os papéis de agentes da I.S.A., com a missão de acessar o nível de desenvolvimento do surf, como esporte competitivo, através de uma pesquisa de campo junto às Associações ou Federações de Surf de cada país.

Desde então, Fernando já vinha trabalhando com afinco para elevar o surf à condição de esporte Olímpico.

Após a adesão da Reef Brazil, outros patrocinadores seguiram como a Company, lendária marca carioca de moda praia, pioneira no Brasil, a Insane Wetsuits e a extinta Amazonia Forest, do Havaí. Com o devido apoio e planejamento, o Surf Americas colocou o pé na estrada em Dezembro de 1997 e chegou em seu destino final, o Rio de Janeiro, em Agosto de 1998.

Vinte anos depois, no aniversário da expedição Surf Americas, o surfe passa a ser reconhecido como esporte Olímpico e fará sua estréia nas Olimpíadas de 2020. O Surf Americas foi uma viagem rica em aventuras e em informações que ajudaram a redefinir o surf como esporte para seus praticantes e simpatizantes, mundo afora.